2004-07-04

Carta de Bakunin à seu irmão Pavel

Eu amo, Pavel, eu amo imensamente; eu não sei se posso ser amado como gostaria de sê-lo, mas não desespero; eu sei pelo menos que se tem muita simpatia por mim; eu devo e quero merecer o amor daquela que amo, amando-a religiosamente, quer dizer, ativamente; - ela está submetida à mais terrível e à mais infame escravidão; - e devo libertá-la combatendo seus opressores e acendendo em seu coração o sentimento de sua própria dignidade, suscitando nela o amor e a necessidade da liberdade, os instintos da revolta e da independência, lembrando a ela o sentimento de sua força e de seus direitos.

Amar é querer a liberdade, a completa independência do outro, o primeiro ato do verdadeiro amor, é a emancipação completa do objeto que se ama; não se pode verdadeiramente amar senão a um ser perfeitamente livre, independente não somente de todos os outros, mas mesmo e sobretudo daquele pelo qual é amado e que ele próprio ama. Eis minha profissão de fé política, social e religiosa, eis o sentido Intimo, não somente de minhas ações e de minhas tendências políticas, mas também, tanto quanto eu possa, o de minha existência particular e individual, pois o tempo em que estes dois tipos de ação podiam ser separados já está bem longe de nós; agora o homem quer a liberdade em todas as acepções e aplicações desta palavra, ou então ele não a quer absolutamente.

Querer, amando, a dependência daquele a quem se ama, é amar uma coisa e não um ser humano, pois este só se distingue da coisa pela liberdade; e também se o amor implicasse a dependência, ele seria a coisa mais perigosa e a mais infame do mundo porque criaria uma fonte inesgotável de escravidão e de degradação para a humanidade. Tudo que emancipa os homens, tudo que, fazendo-os entrar neles mesmos, suscita o princípio de suas próprias vidas, de uma atividade original e realmente independente, tudo que lhes dá a força de serem eles próprios, - é verdadeiro; todo o resto é falso, liberticida, absurdo.

Emancipar o homem, eis a única influência legítima e benfeitora. Abaixo todos os dogmas religiosos e filosóficos, eles nada mais são do que mentiras; a verdade não é uma teoria, mas um fato; a vida é a comunidade de homens livres e independentes - é a santa unidade do amor brotando das profundezas misteriosas e infinitas da liberdade individual. Por favor, não se esqueçam de mim e, se for possível, escrevam-me, mas sendo prudentes e evitando também vos comprometer pelo que quer que seja, escrevam-me pelo menos uma palavra a fim de que eu possa estar seguro de que estais ainda vivos. Meus pobres, vós não podeis saber quão freqüente meu coração se aperta em relação a vós e por vós; nossos pais desperdiçaram toda vossa vida; eles vos mataram.

O que é feito de meu pai? Eu lamento por ele: ele também era capaz de uma outra existência. Ele ainda está vivo? Eu lhe escreverei em breve uma última carta de adeus, sem o menor objetivo prático ou interessado, mas simplesmente para me despedir dele e lhe dizer algumas palavras de afeição e de adeus. Quanto à minha mãe, eu a amaldiçôo; para ela, em minha alma, não há lugar para outros sentimentos além do ódio e do mais profundo e radical desprezo, não por minha causa, mas pela vossa, a quem ela causou muitos males. Não me trateis por cruel; é tempo de que nós nos libertemos de um sentimentalismo impotente e irreal; é tempo de sermos homens, homens tão fortes e tão constantes no ódio quanto no amor. Sem perdão, mas guerra implacável a meus inimigos, pois esses são os inimigos de tudo o que há de humano em nós, os inimigos de nossa dignidade, de nossa liberdade.

Nós por muito tempo amamos, Queremos finalmente odiar.

Sim, a capacidade de odiar é inseparável da capacidade de amar.

2004-05-16

Caso de Familia 2

Meu amigo, nunca fui muito certo. Eu era pivete, mas fazia maior pinta de bacana.
No morro me chamavam de Teta, por causa deste terceiro mamilo.

Ela não. Ela era minha princesa. Morava em Ipanema, pertinho da praia onde a gente se conheceu. Quase quinze aninhos, um corpo dourado espetacular. Coisa de cinema. Família tradicional da burguesia carioca que não podia nem imaginá-la com alguém do morro, ainda mais de cor.

Uma tarde ganhei na loteria. Aniversário dela, casa vazia, o mundo era nosso. Mal passei pelo muro e já começamos ali mesmo. A pequena tinha um apetite de matar, muito maior que daquelas piranhas do baile.

Já anoitecia e a gente tava transando na sala, sem respeito pelo sofá caro ou por nenhum outro item da decoração. Assustados com um ruído decidimos continuar no porão, onde tinha a lavanderia. Mas nem assim paramos. Fiz aquela pose de fortão, levantei-a pela bunda e, com ela me abraçando com as pernas, fomos descendo a escada.

Mal acendi a luz e já ouvi a salva de “PARABÉNS”. Tava todo mundo lá. Ela sumiu instantaneamente e eu fiquei paralisado pela cena tão bizarra. Pelado, de pau duro, na frente de um monte de pinguin. Nem tentei reagir.

Hoje eu como essa gororoba da cadeia. Mas já comi muito melhor...

2004-05-10

Caso de familia

Faz tempo que os seios perderam seu nobre aspecto maternal. A medicina e a moda buscam desesperadamente recursos para que as mulheres possam ostentar belas mamas como armas poderosas de sedução, ostentação ou mesmo como símbolo de status. O fato é que eu adoro peitos.

Era apenas uma preferência sexual, mas logo se tornou uma exigência e, com o passar dos anos, uma obsessão. Pouco a pouco percebi que meu amor pelas mulheres na verdade se reduzia a essa insistente busca por belos seios e talvez essa seria a causa tantos relacionamentos interrompidos ou infrutíferos.

Uma enorme coleção de fotos, vídeos, modelos em silicone e outros artefatos igualmente peculiares se amontoavam em meu pequeno quarto. Meu apetite insaciável aumentava em proporções desastrosas. Buscava naquele órgão o prazer da fome saciada, que a psicologia me explicava com o complexo de édipo ou outras perversões similares.

Já me sentia no fundo do poço quando encontrei minha solução. Foram muitos turnos dobrados e sacrifícios de fome para comprar meu próprio par de seios. As madrugadas de estudos minunciosos me mantinham saciado, em busca do implante perfeito que hoje trago em meu tronco.

Não sou homossexual. Nem "travesti", como eh cuspido pejorativamente pelos transeuntes desta avenida. Gosto muito de mim e, se não fosse a intolerância social, ainda teria meu antigo trabalho ao invés deste. Acabei aprendendo a gostar...

2003-09-21

Pior que ser responsável pela felicidade é ser culpado da tristeza,
E quanto mais o amor queima, mais eu carrego suas mágoas cinzentas.
Fumo-le vicosamente, esperando que me sacie, quederendo que não acabe.
Seguro-lhe até me queimar. Insisto. Esse é o ultimo, não merece o mesmo cinzeiro velho.
Inútil. As lagrimas já o levaram.
As luzes se apagaram. Até ela já foi.
Só fiquei eu.

2003-04-07

O mundo ainda faz questao de me surpteender.
A esperan�a, que a tempo soh andava com a decepcao,
hoje a traiu com a paixao e a felicidade. ;)
Poderia dividir meu cora��o com todo o mundo agora,
que ainda ia sobrar suficiente pra dormir sorrindo
e sonhar num amanha com ela !

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"Porque o samba e a tristeza que balan�a
E a tristeza tem sempre uma esperan�a
Tristeza tem sempre uma esperan�a
De um dia n�o ser mais triste n�o."
Vinicius de Moraes - Samba da Ben��o

2003-03-30

A solid�o � ou n�o a pior droga do mundo ?
As vezes me bate t�o forte que chega a dar barato.
Sua melhor amiga e protetora, sempre l�
ao mesmo tempo a causa de toda dor.
Mas acho que minha vida � assim mesmo.
Cabe�a cheia e cora��o vazio.

2003-03-23

"Das mil maneiras de amar, � pais, a secreta � a mais ardilosa, e eis a que ocorre na esp�cie"
C. Drummond

2003-03-21


Passamos a noite juntos !
Ela estava particularmente linda.
J� chegou me olhando daquele jeito,
Saimos juntos, como faziamos antigamente
Caminhando de m�o dadas.
Bares, becos, boates e botecos,
A noite toda era nossa.
Afinal, quando se est� com a lua,
O c�u � o limite.

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"And as we wind on down the road
Our shadows taller than our souls
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold
And if you listen very hard
The tune will come to you at last
When all are one and one is all
To be a rock and not to roll"
Stairway to Heaven, Led Zeppelin

2003-03-18


Quanto tempo vou conseguir resistir antes de sufocar ?
At� quando vou continuar masturbando meus sentimentos
e me satisfazer com falsas esperan�as ?
De que me adianta o bilhete sorteado,
se eu n�o quero premio.
Quero aprender a jogar ao inves de
me convencer que dar a outra face � a melhor saida.
Est� na hora de mudar. De novo ....





2003-03-16






Today´s posts are for
Alice !

The greatest gril on line.

A Thousand Hugs !



Chega.

Chega de palavras soltas. profundas. mediocres.
Chega de trios eloquentes, tristes e decadentes.
Chega de m�trica e rimas probres.
Chega de frases come�ando com a mesma palavra.
Chega de poesia.


Amar � como escrever
Seja na procura da palavra perfeita,
Ou na ang�stia de esquec�-la.
Viver � juntar amores,
Criando belas poesias,
Grandes novelas,
Ou que seja um continho.
Mas que seja de verdade,
Pois sen�o a vida fica como essa poesia
sem as palavras.

2003-03-11

Ded�o fodido. Raio-x amanh� cedo.
Ombro doendo, joelho for�ado, torcicolo.
Ex no Shopping... Mais saudade...
Mas valeu a guerra !
Hoje eu dei meu mortal.
Engole essa Cabessaum ;)
Daqui a pouco � o ping-pong !

2003-03-10


Mais uma "lonely night"...
Parece que essa vai durar pra sempre.
A cafiaspirina n�o me deixa dormir.
Minhas coisas ficam me olhando. A musica repete.
Videogame trava. Volto pro computador.
Ex no ICQ ... Saudades....
Aperto o toddynho pela ultima gota. Em v�o.
Ja sei.. Viol�o. Pena que dura pouco.
S� sei uma m�sica.
Vou ler. Contar estrelas. Tomar banho.
Nada adianta.
Queria mesmo � que ela estivesse aqui....

2003-03-09

Tamor

- Doeu ?
- Muito.
- Como ?
- Feito queimadura no olho.
- Nossa. Mas saiu tudo ?
- Saiu inteiro. gra�as a deus....
- Ainda bem. Era benigno, nao era ?
- N�o sei, achei melhor n�o arriscar. Vai que espalha, met�stase, sabe como � ....
- Fez bem.
- E talvez nem fiquem muitas sequelas.
- Tomara.
- Tenho que ir. V� se melhora logo.
- At�. Valeu por ligar...

� um grande amor. (plat�nico..).
Huston, we have a problem...